Hilmar Becker, country manager Brasil da F5                                                                                                                Crédito: Divulgação

A F5, empresa de soluções de segurança norte-americana, aponta que 24% dos executivos de segurança das organizações ao redor do mundo passaram a implementar a estratégia de segurança Zero Trust, durante a pandemia. Isso aconteceu devido ao aumento do home office que gerou a explosão de dispositivos usados em acesso remoto na nuvem.

Baseado no modelo da agência de defesa americana, o conceito Zero Trust concede a autorização de acesso por usuário e não mais pela rede. A ideia é que o usuário exerça sua função sem ter acesso a outras plataformas, permitindo a empresa gerir todos os processos internos como externos. Trata-se de uma mudança de paradigma em termos de segurança: nunca confiar e sempre verificar, o que envolve monitoramento contínuo.

“Embora exija investimentos de infraestrutura para sua implementação, o Zero Trust vai revolucionar o mercado”, afirma Hilmar Becker, country manager Brasil da F5. Segundo ele, o CEO da F5 autorizou o licenciamento da ferramenta sem custo para que clientes de todo os continentes pudessem fazer a virada durante a pandemia, garantindo o acesso seguro às suas plataformas. Com a iniciativa, a F5 bateu recorde de faturamento: o primeiro trimestre de 2021 foi o maior resultado da história da companhia.

As vendas da plataforma Zero Trus, que garante o acesso seguro de usuários remotos no Brasil aumentaram 60% em 2020. A expectativa da empresa para este ano é ampliar a oferta de soluções para atender o open banking e Pix. Com inúmeros clientes migrando sua operação para nuvem, a F5 tem se dedicado a atualizar a infraestrutura, oferecendo a mesma funcionalidade em qualquer tipo de plataforma.

“Hoje colocar aplicação de segurança na Amazon exige um tipo de demanda e no Google outra completamente diferente, mas nossas ferramentas fazem a tradução de maneira automatizada”, diz Becker.

A migração para o ambiente em nuvem, segundo ele, está gerando oportunidades para a F5 em termos de software sob demanda: cada trimestre aumentam as vendas nessa modalidade, cuja procura na América Latina tem crescido mais de 30% ao ano.

Segurança nas atualizações

O sistema financeiro responde por um terço da receita da F5 no Brasil, os outros dois pilares são governo e operadoras de telecom. Conforme Becker,  os bancos estão sendo forçados a modernizar suas plataformas legadas para enfrentar o novo ambiente, que demanda constantes atualizações das aplicações, e garantir que os sistemas de segurança estejam embutidos nessas atualizações.

Lidar com plataformas legadas, tanto de bancos como de operadoras de telefonia, é sempre um desafio para a equipe da F5. “Muitas vezes quando vamos implementar um sistema novo de segurança é comum detectar soluções de outros fabricantes, que não eram atualizadas há mais de sete anos”, observa.

Ataques cibernéticos

De acordo com pesquisa do F5 Lab, cerca de 70% de vazamentos de dados hoje são decorrentes de acessos externos e 30% do acesso interno, seja devido a um dispositivo comprometido ou a um colaborador mal-intencionado. Em 2021, as maiores violações de dados ocorreram no ambiente em nuvem, sendo 14% dos ataques desconhecidos e 86% acessos mal configurados.

A América Latina foi considerada a região de onde surgiram o maior número de ataques cibernéticos, no primeiro trimestre de 2021. O Brasil ocupou o sétimo lugar no que diz respeito aos ataques contra páginas Web, já o Chile liderou o ranking na categoria de ataques mais sofisticados, com 24 mil.