Foto de Fábio Kanczuk falando ao microfone

Fábio Kanczuk – Diretor de Política Econômica do Banco Central Crédito: Flickr BC

A pandemia da Covid-19 derrubou a rentabilidade dos bancos em 2020, conforme o Relatório de Economia Bancária (REB), divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, 7. “A queda da rentabilidade foi generalizada, afetando bancos de diferentes tipos de controle, porte e segmento de atividade”, ressalta o documento, que destaca que a perspectiva é de melhora em 2021.

Em dezembro de 2020, o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) do sistema bancário foi de 11,5%, o menor da série histórica do BC, que teve início em dezembro de 2010. Em dezembro de 2019 em relação ao ano anterior, por exemplo, o ROE registrado foi de 16,5%.

Segundo o relatório do BC, a pandemia forçou os bancos a aumentarem no ano passado as chamadas “provisões para créditos de liquidação duvidosa”, recursos que precisam ficar parados para eventuais perdas. O BC reflete ainda que os custos dos bancos permanecem sob controle. “A redução do número de agências e de funcionários, em paralelo ao aumento do uso de canais de atendimento digitais, tende a trazer ganhos de eficiência operacional para o sistema no médio prazo”, acrescenta o documento.

O diretor de política econômica do Banco Central, Fábio Kanczuk, disse em coletiva de imprensa que a atividade econômica está tendo um retorno rápido em 2021. “A recessão foi muito mais curta e menos aguda do que se esperava e as empresas estão sofrendo bem menos do que poderiam ter sofrido”, afirmou.

Concentração do crédito

As cinco maiores instituições financeiras do Brasil – Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Santander – concentram 79,2% do crédito no país, de acordo com o REB. Em dezembro de 2019, antes da pandemia, esse percentual era de 80,7%.

O BC manteve as projeções para o mercado de crédito brasileiro em 2021. A estimativa de alta segue em 8%, conforme já divulgado em março, a projeção do crédito livre permanece em 11,1% e os recursos direcionados seguem em 3,7%.

A autoridade monetária apontou também para o risco do alto endividamento do consignado do INSS. Em 2019, o limite de consignação dos benefícios do INSS era de 35%, elevado a 40% no ano passado.