Foto do presidente do Ser Educacional, Jânyo Diniz

Jânyo Diniz – Presidente do Ser Educacional Crédito: Divulgação

O mercado de edtechs está em ebulição. No Brasil, já são 566 edtechs, 26% a mais do que há dois anos, segundo estudo realizado pela Abstartups e pelo Centro de Inovação para a Educação Brasileira (Cieb).

O avanço acompanha o crescente interesse dos investidores no setor educacional brasileiro, cujo desempenho tecnológico foi posto à prova durante a pandemia do coronavírus. Um dado que reforça essa efervescência do setor é o montante de investimentos feitos nas edtechs brasileiras entre janeiro e maio de 2021, que somou US$ 380 milhões, segundo dados da plataforma de inovação aberta Distrito.

A Ser Educacional, um dos maiores grupos privados de educação do Brasil, com 60 unidades presenciais e líder nas regiões Nordeste e Norte que acaba de adquirir a Faculdade Educacional da Lapa (Fael) por R$ 280 milhões, em sua sexta aquisição em pouco mais de um ano, quer dobrar a aposta em educação a distância e investir em edtechs, segundo Jânyo Diniz, presidente do grupo.

A primeira aquisição da Ser no mundo das edtechs ocorreu no ano passado, quando adquiriu a startup mineira Beduka, plataforma que atua no mercado de apoio online para alunos que buscam ingressar no ensino superior, por meio de planos de estudos e simulados do Enem, por exemplo.

“O mercado mudou e o ensino superior continua praticamente o mesmo, do jeito que ele foi pensado na Universidade de Bologna, no século XIII. A partir dos anos 1960, começou-se a pensar numa transformação, mas não havia software e hardware para isso. Hoje tem”, analisa Jânyo Diniz.

As edtechs estão proporcionando essa mudança. “Nós mudamos o nosso modelo do ensino superior, trazendo muito dessa pegada que os cursos devem ter uma duração menor, atendendo a necessidade do aluno e a necessidade do mercado”, complementa Diniz.

Hoje, entre presenciais, a distância e híbridos, a Ser Educacional conta com mais de 200 mil alunos, número que chegará a 300 mil quando o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovar a aquisição da Fael. Jânyo Diniz acredita que a tecnologia da informação e o desenvolvimento de softwares de inteligência artificial permitem o aprendizado individualizado. “Nós começamos a montar um ecossistema de educação digital, incluindo os cursos regulares de graduação e cursos livres. Eu posso dizer que estamos caminhando para um modelo de massificação customizada da educação”, revela.

A aquisição do Beduka, que hoje conta com mais de 800 mil visitantes únicos por mês, teve a ver com o projeto da Ser Educacional de oferecer serviço completo de educação. A proposta é conhecer o aluno, entender as suas opções de ensino, identificar quais os cursos vinculados ao seu momento pessoal e ajudar a escolher a instituição que ele quer estudar, seja ligada ao grupo ou não. O papel da startup é preparar o aluno para o ensino superior, com conteúdo para o Enem e outros vestibulares.

Crescimento acelerado

De acordo com o estudo da Abstartups e Cieb, metade das edtechs brasileiras foca no segmento de educação básica, o mais carente em termos tecnológicos. Enquanto 41,5% das edtechs vendem seus serviços para outras empresas — grupos educacionais, por exemplo —, o filão que tem os estudantes como clientes responde por 30% do total.

Os cinco sócios da Explicaê

Sócios da Explicaê Crédito: Divulgação

É o caso da Explicaê, startup sergipana, fundada em 2016, que também ajuda jovens a se prepararem para o Enem e demais vestibulares. Quando se juntaram para criar o Explicaê, os sócios Bruno Oliveira, David Barreto, Gil Vieira, Nicolas Matos e Thyago Otoni tinham o propósito de desenvolver um negócio que colocasse o jovem estudante no centro da estratégia e que pudesse ter acesso a um modelo de ensino de qualidade e baixo custo.

O modelo deu certo. Quatro anos depois, a startup contabiliza dois milhões de alunos cadastrados, espalhados por todo o país, em função de contratos firmados a partir da pandemia, com secretarias de educação de Sergipe, Amazonas e São Paulo.

A startup, segundo um de seus fundadores, Bruno Oliveira, cresce uma média de 190% ao ano, com 160 colaboradores e 30 mil alunos ativos, que pagam mensalidade para ter acesso ao conteúdo. “Cerca de 80% dos nossos alunos ativos já concluíram o ensino médio e vão fazer o Enem pela segunda, terceira, quarta vez. Eles podem escolher temas específicos de cada disciplina nos quais têm mais dificuldade, podem optar por um curso para o vestibular de uma universidade específica ou mesmo solicitar um planejamento de estudo, conforme os seus interesses e disponibilidade de tempo”, explica Bruno Oliveira.

A Explicaê agora investe em outras frentes do negócio, o Explicaê Teem, voltado para o ensino fundamental e conteúdo e tecnologia para escolas. “Nós nos associamos a uma empresa canadense, a D2L, que tem uma tecnologia específica para escolas que queiram se adaptar ao ensino híbrido, acrescentamos o conteúdo do Explicaê e lançamos uma solução para pequenas e médias escolas, o EXP for School”, conta Oliveira.

O Explicaê nunca recebeu aporte de investidores, todo o crescimento foi orgânico, mas no momento os sócios sentem a necessidade de abrir a startup para o mercado para acelerar o crescimento e contam com a aceleração e consultoria da Endeavor para isso. O faturamento da Explicaê em 2020 foi e R$ 4,6 milhões e a expectativa para 2021 é chegar a R$ 8, R$ 9 milhões.

Conectando professores e alunos

Encontrar um professor particular de física quântica ou mesmo aprender os primeiros passos do corte e costura ou de um instrumento musical poderiam ser tarefas complicadas há uns anos, mas hoje a internet oferece informações multidisciplinares e as edtechs têm soluções customizadas para interesses variados.

Fundada em 2015, a Profes se apresenta como uma plataforma de conhecimento que oferece cursos, projetos e aulas particulares das mais variadas disciplinas e formações. Os alunos podem também dizer o quanto estão dispostos a pagar e cabe aos professores cadastrados aceitar a proposta e fechar o contrato diretamente. A startup recebe um percentual pela interface.

“Hoje temos um pouco mais de 40 mil professores cadastrados, atuamos em todos os campos do conhecimento e em todos os níveis de profundidade, explica Márcio Boruchowski, CEO da Profes. Segundo ele, já passaram pela Profes mais de meio milhão de alunos e atualmente, a startup conta com 7 mil novos alunos por mês.

A startup tinha uma média de crescimento de 100% ao ano, antes da pandemia. De 2020 para 2021, o esse percentual saltou para 240%, com um faturamento superior a R$ 2 milhões. “Já tínhamos uma infraestrutura toda preparada para o digital, o que fizemos assim que começou a pandemia foi sensibilizar os professores para dar aulas gratuitas e tivemos uma grande adesão, de professores e de alunos”, conta Boruchowski.