Foto de Samir Kerbage, CTO da Hashdex, em pé de braços cruzados

Samir Kerbage – CTO da Hashdex Crédito: Divulgação

Seja no mercado tradicional ou no universo dos criptoativos, cresce a oferta dos fundos de índices. Esta semana, o Safra iniciou a negociação na B3 de seu Safra Ibovespa Fundo de Índice, ETF (Exchange Traded Fund) negociado pelo código SAET11, refletindo o desempenho do principal índice de ações do Brasil. O ETF é um fundo de índice que possibilita ao investidor aplicar seu capital em várias empresas ao mesmo tempo.

As cotas do ETF são negociadas na B3 de forma semelhante às ações, com uma carteira que busca retornos atrelados à performance, antes de taxas e despesas, de um índice de referência. Ao adquiri-las, o investidor compra indiretamente todas as ações da carteira teórica do índice por um valor acessível.

Agora a onda contagia o mercado de criptomoedas. A Hashdex, gestora focada em criptoativos, saiu na frente lançando o primeiro ETF de índice de cripto no mundo listado na Bermuda Stock Exchange (BSX) – produto que replica o Nasdaq Crypto Index (NCI), índice co-desenvolvido pela gestora brasileira e pela bolsa de valores americana.

Para o Brasil, a Hashdex lançou o HASH11, primeiro ETF de ativos digitais da B3, que também segue o NCI. Desde o lançamento, o Hash11 tem oscilado entre o segundo e o terceiro ETF mais negociado da B3 e é o terceiro com o maior número de cotista (80 mil) e R$ 1,4 bilhão sob gestão. Hoje a Hashdex mantém R$ 3,5 bilhões sob gestão e mais de 180 mil cotistas, sendo a maior gestora de criptoativos da América Latina.

Samir Kerbage, CTO da Hashdex, explica que o Hash11 é baseado numa cesta de oito moedas digitais e altcoins: Bitcoin (80,37%); Ethereum (16,35%); Litecoin (1,19%); Chainlink (0,94%), Stellar, Bitcoin Cash, Filecoin e Uniswap. O conjunto permite que o investidor que não tem muito traquejo com cripto ativos, invista de forma diversificada.

“Com o Hash11, o investidor tem acesso a todos esses ativos e, à medida em que o mercado vai se desenvolvendo, o índice vai sendo rebalanceado e novos ativos podem entrar ou sair. No último rebalanceamento, em 1º de junho, entrou o Filecoin e Uniswap, que vêm crescendo bastante. O valor da cota do investidor passa a oscilar de acordo com o preço da carteira. Ao fazer o resgate, o investidor recebe em reais o valor da cota dia”, explica Kerbase.

Ele conta que existem alguns ETFs de Bitcoin e de Etherium no Canadá, primeira jurisdição a aprovar ETF de criptoativos. O Brasil veio em seguida, mas com o primeiro a lançar ETF de índice de criptoativos. E outros já estão a caminho.

Bernardo Pascowitch, CEO do buscador de investimentos Yubb, informa que a QR Asset Managemente prepara o lançamento o QBTC11, baseado no Bitcoin. Para ele, a grande vantagem de um fundo de índice e criptomoedas é que o investidor não precisa fazer a custódia dos criptoativos. “A segunda vantagem é que o ETF é regulado no Brasil pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por ser um ativo mobiliário – ao contrário das criptomoedas -; e foi autorizado e autorregulado pela B3. Além disso, ainda permite compensar perdas como incentivos tributários”, analisa Pascowitch.

Kerbase explica que todos os ETFs negociados no Brasil precisam ser geridos por empresas autorizadas pela CVM. Isso, na sua avaliação, dá proteção ao investidor. “O Hash11 é mais um ativo na bolsa, que pode ser adquirido por qualquer um  em qualquer home brocker ou corretora. Por ser um investidor institucional, a Hashdex consegue oferecer as melhores práticas de custódia institucional, fora todos os controles de segurança”, indica Kerbage.

Para Tasso Lago, especialista em criptomoedas e fundador da Financial Move, a forma de gestão dos fundos é algo que deve ser analisado com muita cautela para que o investimento obtenha o ganho esperado. Nos fundos de índices tradicionais, a gestão é realizada de forma passiva, ou seja, são ativos escolhidos com o objetivo de superar um índice ou referência. As taxas de administração são mais acessíveis.

“Um fundo de índice normalmente tem um percentual fixo. Já um fundo de criptomoeda tem uma gestão ativa, ou seja, quando gerencia o capital, ele não tem um percentual estabelecido. Uma das vantagens oferecidas é ter uma gestão mais proativa do capital. Porém, em contrapartida, as taxas são mais altas, pois o trabalho para gerir é maior”, analisa Lago.