Analise de dados | Credito: Everythingpossible - Freepik.com

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A Finastra, considerada uma das três maiores fintechs do mundo em soluções para instituições financeiras, aposta no uso intensivo de dados para melhorar a experiência do cliente e reduzir fraudes no ambiente open banking, conforme Robert Mancini, head de pagamento da Finastra, durante evento virtual global sobre open banking.

“Os clientes buscam o imediatismo da Amazon (AWS) e a personalização do Netflix, em todos os aspectos de sua vida. Para isso, os bancos precisam antecipar às necessidades dos clientes e não esperar serem procurados por eles para aconselhamento”, afirma Mancini.

Os dados são tudo, mas nem todos são iguais. Por considerar o investimento em dados elevado e de retorno demorado, segundo ele, os bancos costumam utilizar dados reaproveitados, quando poderiam usar os dados e a tecnologia para tornar o ambiente do open banking uma jornada digital fácil e contínua para o cliente, diz.

A Finastra presta atendimento em plataforma de colaboração aberta para 9 mil clientes bancários, que operam em mais de 130 países. Para o head de pagamentos da fintech, os neobancos e as instituições não financeiras serão os líderes nessa nova corrida do open banking, embora acredite que os bancos estão começando a reagir.

O ecossistema do open banking propicia a inovação e poderá levar as instituições bancárias a transformar seu modelo de receita baseado em transações, em modelo de serviço. “Se o cliente quer comprar um apartamento, o banco não deve se limitar à transação financeira, mas considerar toda a experiência de compra que ele terá para colocar uma casa em funcionamento, como seguro, serviços básicos entre outros”, observa. A fintech tem sido uma líder em open banking em muitos mercados, como Reino Unido e Singapura.

PMEs: grandes beneficiadas

Mancini enxerga também grandes oportunidades para as PMEs no ambiente de plataforma aberta. A tendência é utilizarem mais o comércio global para gerar lucros e expandir seus negócios.

“Essa dinâmica poderá introduzir um novo nicho de serviço financeiro baseado em pagamentos e transações internacionais, tanto para fornecedores como clientes. Essas empresas querem ser pagas sem a complicação de criar uma fatura, escrever um e-mail, por isso aceitam o pagamento com cartão, mesmo com taxas altas”, diz.

Os pagamentos digitais diretos pela internet, segundo ele, estão sujeitos a menos riscos em termos de garantias e oferecem estrutura bem mais atrativa para o pequeno e médio empreendedores. Além de mais lucrativa, essa alternativa permite às empresas focarem em seu próprio negócio. “A razão pela qual o mundo está lento no que se refere a pagamentos transfronteiriços tem muito mais a ver com questões regulatórias que tecnológicas”, afirma.

A propósito Mancini citou a experiência da Finastra na organização de um hacktron em plataforma aberta, em que uma pequena fintech desenvolveu uma solução de pagamento transfronteiriço em tempo real. “Eles acabaram sendo certificados na plataforma e, em seguida, testaram o projeto piloto com vários bancos, em diferentes localidades”, concluiu.