Orlando Telles, sócio fundador e diretor de Research da Mercurius Crypto – Crédito: Divulgação

Orlando Telles, sócio fundador e diretor de Research da Mercurius Crypto – Crédito: Divulgação

A expansão do mercado de finanças descentralizadas (DeFi) pode tornar o Ethereum tão relevante quanto o Bitcoin. Atualmente, o Bitcoin tem um market cap de U$578,6 bilhões, enquanto o Ethereum tem pouco mais de um terço desse valor, cotado a U$212,7, segundo registrado pelo site CoinMarkeCap. Na semana passada, o mercado de finanças descentralizadas bateu a marca de 3 milhões de usuários.

Finanças descentralizadas – DeFi – referem-se à mudança de sistemas financeiros tradicionais centralizados para finanças ponto a ponto habilitadas pelo blockchain Ethereum. De stablecoins a empréstimos, negociação de margem, pagamentos, seguros, jogos e NFT, o ecossistema DeFi já representa uma rede expansiva de protocolos integrados e instrumentos financeiros no valor de mais de US$ 53 bilhões, aponta o relatório DeFi Report.

“No Brasil já há ofertas de DeFi em exchanges como Mercado Bitcoin e Foxbit. Recentemente, foram lançados dois ETFs – pela HashDex e pela QR Capital – que investem em Ethereum, o que é uma porta de entrada para o DeFi. E há ainda um fundo de investimentos dedicado a DeFi, o Vtr QR DeFi da Vitreo. Também estamos lançando o fundo Mercurius Crypto Value”, diz Orlando Telles, diretor de Research da Mercurius Cripto, casa de análise e pesquisa em criptoativos.

“A Aave é a maior DeFi do mercado, voltada para empréstimos e se tornou uma alternativa para investidores institucionais que buscam melhores taxas de juros. Há ainda outras como a Maker, e a Uniswap para troca de ativos que já transacionou mais de US$ 300 bilhões e hoje tem receitas de US$ 1 bilhão ao ano. Todas são organizações descentralizadas autônomas (DAO – decentralized autonomous organization) sem uma base territorial. Tanto a Aave quanto a Uniswap estão na vanguarda regulatória criando um fundo de US$ 20 milhões pró regulação”, diz Telles.

Ocorre que a maior parte desses protocolos rodam sobre Ethereum, que pode se valorizar fortemente e se desgarrar da correlação com o Bitcoin. Isso porque esta blockchain é uma plataforma de contratos inteligentes que serve como base para desenvolver as plataformas DeFi.

“O Ethereum é hoje a maior blockchain em valor transacionado. Nos últimos três meses, foram negociados US$ 2,5 trilhões na blockchain da Ethereum. Algumas casas de análise estimam que a plataforma deve chegar até o final do ano a US$ 8 trilhões em volume transacionado. Quanto mais aplicações DeFi forem evoluindo, maior o impacto no valor do Ethereum”, diz Telles.