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A moeda digital brasileira não estará disponível antes de dois anos. Após anunciar, hoje, 24, as diretrizes para criação da CBDC (Central Bank Digital Currencies, do termo em inglês), a autoridade monetária iniciará, em dois meses, uma série de seminários para consulta à sociedade. Em vez de abrir um processo oficial de consulta pública regulatória,  o BC optou por um modelo mais informal de consulta aos diversos agentes de mercado.

“Vamos criar um ambiente para discussões e para colher subsídios tecnológicos. A nossa visão é de que em dois ou três anos teremos uma moeda de fato. Mas o cronograma ainda não está definido porque não temos casos de uso e a tecnologia não está madura”, informou Fabio Araújo, coordenador dos trabalhos sobre a moeda digital do Banco Central.

O BC anunciou hoje,24, sua estratégia para a emissão de uma Moeda Digital Brasileira visando promover a inovação nos meios de pagamentos. A moeda será utilizada para pagamento no varejo e terá de ser, necessariamente, custodiada por uma instituição financeira, não podendo ser guardada numa carteira digital pessoal como as criptomoedas. Fabio Araujo explica que a CBDC brasileira terá integração com o Pix e o open banking e uma das diferenças para as criptomoedas é que será emitida pela autoridade monetária, e não por uma empresa ou Exchange.

“A diferença da moeda digital para o Pix, são as novas tecnologias que ela vai permitir como smart contract, Internet das Coisas, dinheiro programável, tokenização e DeFi. Será uma alternativa de meio de pagamentos. Já as cripto moedas são um passivo do emissor desse cripto ativo. O real digital será um passivo do BC e terá a mesma estabilidade do real. Quando você se expõe a um cripto ativo, está se expondo ao risco do emissor desse cripto ativo”, distingue Araújo.

O BC está trocando informações com países que também estão desenvolvendo CBDCs de modo a que se crie um ambiente facilmente interoperável. O banco também está em discussões com provedores de tecnologia. A solução tecnológica ainda não está definida.

“A ideia é que se crie uma CBDC que atenda às necessidades locais. O blockchain já foi testado pelo BC e é muito útil para gerar confiança entre pessoas que não se conhecem e vai facilitar o surgimento de vários modelos de negócio. Mas um dos problemas é a falta de sustentabilidade”, sinalizou Araújo.

Desbancarizados

Ele esclareceu que o objetivo da CBDC não é, voltada para resolver o problema da população desbancarizada porque ainda será necessário ter a intermediação de uma instituição financeira. A pessoa poderá escolher junto à instituição financeira se quer seu dinheiro em moeda tradicional ou digital. A transformação da moeda tradicional para digital também será transparente.

“A interoperabilidade é muito importante. A ideia é que você possa sacar ou depositar em uma ou outra moeda. Não se espera que o real digital acabe com o real físico nem com os depósitos bancários. Será mais uma opção para o usuário. Como o modelo será de custódia, não há a possibilidade de o recurso ser usado para outra finalidade como operações de crédito”, diz Araújo.

A expectativa é de que o real digital estimule novas relações e serviços que já nasçam integradas ao ambiente digital para que mais pessoas possam desfrutar dessa tecnologia.

“DeFi, a finança descentralizada, é o um tipo de serviço que estamos prevendo. Você pode combinar peer do peer com crowdfunding. Com internet das coisas, você poderia ter uma geladeira que fizesse as compras e pagasse com a moeda digital. As transferências internacionais, se houver acordos com os bancos centrais, podem ser feitas com muito menos custos”, conclui o coordenador do BC.