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A Bip, consultoria italiana, estima que 70% das instituições participantes do open banking deverão oferecer produtos diferenciados para atrair clientes, com o uso de dados compartilhados, até o primeiro trimestre de 2022. A adoção ao open banking pelas instituições financeiras no país ocorrerá mais rápida que na Europa, onde o processo iniciou em 2018, conforme prevê Luigi Iervolino, diretor do centro de excelência em Open Banking da Bip.

A consultoria, que opera em 11 países, tem apoiado no Brasil bancos internacionais, e bancos de médio e pequeno porte, especialmente, os associados à ABBC – a  associação brasileira dos bancos – a se conectarem à nova plataforma aberta. O mercado brasileiro, segundo ele, poderá aproveitar as experiências europeias, evitando erros e se inspirando em casos de sucesso.

Na avaliação de Iervolino, o único país europeu em que o open banking de fato vingou até agora foi o Reino Unido. Bancos digitais e startups têm crescido bastante por lá, pois sabem aproveitar os benefícios do compartilhamento de dados para melhorar a experiência dos clientes e ampliar o portfólio de produtos e serviços.

Melhores ofertas

“Já tem empresas lá fora oferecendo empréstimo de R$ 1 milhão, em menos de 24 horas, usando dados do Open Banking de faturamento, receita, histórico e liquidez para entregar a melhor proposta ao cliente”, diz.  Ele acredita que o Open Banking chega para forçar os usuários a fazerem a transformação digital. Não se trata de algo obrigatório, é o mercado que forçará essa mudança, e se as instituições menores não se prepararem logo vão perder terreno.

“Se um banco de montadora, por exemplo, não entrar nesse segmento vai perder Market share, pois seu maior concorrente, que é o grande banco, está entrando firme no ecossistema e se preparando para usar os dados da melhor forma. O mercado vai forçar essa dinâmica e não o regulador”, observa.

Para a instituição financeira desenvolver uma oferta mais personalizada ou uma análise de crédito mais apurada sobre determinado cliente, ela requer o uso intensivo de dados. O usuário, por sua vez,  precisa enxergar uma forma atrativa de troca para querer compartilhar seus dados.

“Sob a ótica do cliente, o valor que a instituição agregadora de dados gera é uma informação consolidada; sob a ótica do banco é o acesso a um maior volume de dados, que até então ele não tinha sobre aquele cliente. É a partir desses dados, que entra a questão da monetização”, explica.

Na Europa, 47% dos participantes do Open Banking são registrados como agregador e iniciador de pagamento, 46% só agregador e 7% Iniciador de Pagamento. “Está todo mundo virando as duas modalidades, pois a combinação é poderosa para monetizar o dado”, diz.

Barreira de entrada

Para o executivo, se o modelo brasileiro tem aspectos positivos, apropriados a partir de  diferentes experiências internacionais, tem uma barreira de entrada limitadora. “Se considerarmos a competição, o modelo é limitado, por permitir apenas a participação de  instituições autorizadas pelo Banco Central. Isso já garante uma barreira de entrada que serve de proteção para os grandes bancos”, afirma.

No Open Banking na Europa, qualquer fintech pode entrar na plataforma e ser um agregador de informação, o que tem aumentado exponencialmente a atuação dessa empresas no ecossistema. Dos 450 agregadores registrados na Europa atualmente, segundo ele, apenas 35% são bancos tradicionais.

O fato de o BC liderar o processo do Open Banking, forçou também a criação do Open Finance, conforme o diretor da Bip. “Comparado com a Europa, o Brasil é o único país em que o open banking foi construído e lançado por um Banco Central. No Reino Unido, foi iniciativa do Competition and Makert Authority (CMA), comissão da concorrência; na Europa, da Comissão Europeia”, diz.

Segundo ele, como na fase 4 da implantação do Open Banking está previsto o compartilhamento de dados de seguros e de previdência, as seguradoras que não estavam atreladas a um banco não poderiam entrar na plataforma. “Para não criar assimetria sistêmica, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) teve de criar, por exemplo, o open insurance e, provavelmente, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Ambima) criará o open investment”, conclui.